Marionetas de lisboa

EM FOCO NA IMPRENSA RUSSA (4 de Outubro)

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MOSCOVO – RIA “Novosti”

NEZAVISSIMAYA GAZETA

Poderão os Estados Unidos trocar o antigo ministro da Energia Atómica da Rússia pelo oligarca preso?

A decisão da Suíça de extraditar Evgueni Adamov para os Estados Unidos pode encobrir o desejo do Ocidente de aproveitar a perseguição penal do PORNO PORTUGUÊS ex-ministro da Energia Atómica da Rússia para influir no destino do ex-chefe preso da YUKOS, Mikhail Khodorkovsky. Peritos russos comentam a possibilidade do desenvolvimento de tais acontecimentos.

Stanislav Belkovsky, director do Instituto de Estratégia Nacional: “Estes dois acontecimentos não estão interligados de forma alguma. Adamov é necessário aos EUA como Estado. A Rússia, também como Estado, precisa dele. Mas Putin, como chefe de um certo grupo económico, não necessita de Adamov e não envida quaisquer esforços para a sua libertação, porque Adamov não faz parte do grupo dos seus “parceiros” empresariais. Putin não pensa em que medida o Estado precisa de Adamov. Este caso não está ligado a Khodorkovsky. Os Estados Unidos não apoiam Khodorkovsky ao nível da Administração. Estão perfeitamente satisfeitos com Putin como actual presidente da Rússia. Por isso, os EUA nunca empreenderão quaisquer passos radicais no interesse de Khodorkovsky”.

Serguei Markov, director do Instituto de Pesquisas Políticas: “A extradição de Adamov não é uma resposta directa ao julgamento de Khodorkovsky, mas à politização e ilegitimidade do sistema russo de protecção da ordem. O sistema judicial da Rússia tampouco goza de respeito no Ocidente. Para além disso, Adamov é uma figura útil para os americanos por ter tido acesso aos segredos atómicos, sendo muito útil mostrar à Rússia que ela em qualquer caso se subordina aos Estados Unidos”.

Aleksei Makarkin, adjunto do director-geral do Centro de Tecnologias Políticas: “O Departamento de Justiça da Suíça, que tomou esta decisão, tal como as autoridades suíças não têm nada a ver com Khodorkovsky e não participam em quaisquer intrigas. A meu ver, decidiram que os Estados Unidos têm a prioridade, porque Adamov foi preso por sua iniciativa”.

Inga Mikhailoskaya, professora do Instituto do Estado e Direito da Academia das Ciências da Rússia: “Se os americanos pretendem conhecer quaisquer segredos com a ajuda de Adamov, tal é mais importante para os interesses estatais do EUA, do que libertar Kodorkovsky da prisão”.

NOVYE IZVESTIYA/KOMMERSANT

Kremlin reforma o sistema de poder segundo o modelo alemão

O presidente da Rússia apresentou ontem na Duma de Estado (câmara baixa do Parlamento) novas emendas à Lei dos Partidos. Se as alterações forem aprovadas, os partidos que vencerem nas eleições para os parlamentos regionais terão o direito de apresentar candidaturas ao posto de governador. Alguns analistas consideram que se trata de uma reforma consequente do sistema de poder ao estilo alemão.

Na opinião do director do Instituto de Problemas Regionais, Maksim Dianov, a partir de 2000, o presidente Putin aplica consequentemente no país o modelo eleitoral alemão: na Alemanha, os chefes de poder executivo dos Estados federados (Lander) são também designados pelo presidente entre os candidatos propostos pelo partido vencedor. Por isso, o politólogo não exclui que o passo seguinte de Putin seja a introdução de um esquema análogo também ao nível federal, isto é, a apresentação do candidato a primeiro-ministro pelo partido que vencer nas eleições para a Duma de Estado.

“Esta é uma imitação de procedimento democrático que hoje é necessária para legitimar o novo sistema de formação do poder executivo nas regiões”, comenta o vice-presidente do partido Yabloko, Serguei Mitrokhin, a nova iniciativa do presidente. No fundo, a actual proposta não muda nada, porque a nomeação dos governadores ficará na competência do partido Rússia Unida que, graças às “alavancas administrativas” vencerá em todas as regiões do país.

Os políticos de orientação pró-presidencial consideram que as emendas apresentadas ontem devem ser qualificadas como passos intermediárias na edificação de um novo modelo de poder para o período posterior a 2008. Assim, o primeiro adjunto do speaker da Duma de Estado (Rússia Unida), Oleg Morozov, declarou que estas emendas “visam concretizar a ideia do presidente de passar para a formação do governo com base na maioria parlamentar”. Por seu lado, o secretário do Conselho Geral do partido Rússia Unida, Viatcheslav Volodin, não exclui que o projecto de lei possa tornar-se o primeiro passo em direcção a um novo modelo partidário do porno casero mexicano. “A formação do poder executivo partidário leva à formação de um governo partidário e, posteriormente, à eleição de um presidente partidário”, especificou.

VREMYA NOVOSTEY

UE não quer pagar os voos dos seus aviões pelo espaço aéreo da Sibéria

A Direcção da União Europeia (UE) fez mais uma tentativa de “abrir” os céus russos às companhias aéreas internacionais.

Na véspera da cimeira Rússia-UE, que se reúne esta terça-feira em Londres, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, enviou ao Presidente da Rússia, Vladimir Putin, uma carta exigindo começar a anular por etapas, desde 1 de Janeiro de 2005, o pagamento dos voos sem escalas no espaço aéreo siberiano, abolindo ao mesmo tempo as limitações referentes à quantidade de voos de aerotransportadores europeus no espaço aéreo russo. A carta encerra uma ameaça de bloquear a adesão da Rússia à Organização Mundial do Comércio (OMC), caso esta não aceite as exigências da UE.

Ainda em meados dos anos 80 a União Soviética autorizou às companhias europeias, asiáticas e americanas voos sem escala da Europa Ocidental com destino à Ásia Oriental e Sudeste Asiático através da Sibéria. Em troca, estas companhias deviam pagar à Aeroflot, aerotransportador monopolista soviético, o lucro perdido que esta companhia poderia obter caso os aviões das companhias ocidentais fizessem escala em Moscovo e os seus passageiros prosseguissem viagem a bordo de aviões soviéticos. Após o desmoronamento da URSS, os pagamentos continuaram a ser feitos à companhia Aeroflot – Linhas Aéreas Russas.

O total dos pagamentos varia entre 120 e 240 milhões de dólares anuais. De acordo com dados não oficiais, a Aeroflot fica com cerca de um quarto desta soma, sendo o restante canalizado para o desenvolvimento do sector, em particular para o desenvolvimento do sistema nacional de aeronavegação.

Na perspectiva da Rússia trata-se não só de centenas de milhões de dólares, mas da existência da maior companhia aérea nacional. Apesar do melhoramento dos seus índices financeiros nos últimos anos, a Aeroflot ainda não tem rentabilidade operacional. Isto quer dizer que a empresa só é rentável graças precisamente aos seus colegas ocidentais, que pagam pelo cruzamento do espaço aéreo russo. A abolição imediata destes pagamentos põe em questão o destino do líder da aviação civil da Rússia.

BIZNESS

O Ministério das Finanças aceita reduzir a taxa de juro sobre o capital Amnistiado

O Ministério das Finanças da Rússia pediu mais algum tempo ao Governo para a correcção da proposta de lei sobre a amnistia fiscal. Aleksei Kudrin precisa de tempo para avaliar a possibilidade de alterar a taxa de imposto dos capitais amnistiados de 13 para 9 por cento, ponderando os eventuais efeitos desta decisão. Mesmo assim, é pouco provável que venha a ter lugar uma legalização em larga escala de capitais que saíram do país, afirmam os analistas.

O analista da companhia de investimentos Prospekt, Igor Lavuschenko, está seguro de que o Ministério das Finanças não optará por uma redução radical da taxa de imposto sobre o capital amnistiado. “O mais provável é a taxa vir a ser um pouco maior que 9 por cento e menor que 13 por cento”, argumenta o perito pois, segundo mostra a prática, a redução da taxa de imposto não é o motivo, decisivo para o seu pagamento. Da mesma opinião é o perito da companhia de investimentos FBK, Aleksandr Sotov: “Os cidadãos não têm medo do imposto propriamente dito, mas têm medo de tornar pública a fonte de receitas”.

Com efeito, a taxa tributária não é o factor mais importante aquando da tomada da decisão de declarar as receitas, concorda o orientador científico do Grupo Económico de Peritos, Evsei Gurvitch. “É muito possível que alguém venha a aproveitar este mecanismo, mas não penso que venham a ser muitos. Há outras maneiras muito mais eficazes de legalizar os capitais. Por exemplo, por meio de investimentos numa série de empresas russas”, assinala o especialista.

“Se se optar por uma taxa muito baixa na amnistia fiscal, isso será injusto em relação a todos os outros cidadãos russos que têm pago ao longo de todo este período a taxa estabelecida sobre todos os seus rendimentos ” – raciocina o analista da companhia de investimentos Tradições Financeiras Russas, Pavel Vorojtsov. – “Mas se se mantiver a taxa ao nível de 13 por cento, não haverá qualquer incentivo para fazer voltar o dinheiro às contas dos bancos russos”.

Tudo dependerá do mecanismo a ser aprovado pelo Ministério das Finanças, argumenta Aleksandr Sotov: “Não se exclui a hipótese de o Ministério das Finanças aprovar tais condições que façam com que a amnistia fique apenas no papel”.

IZVESTIYA/RUSSKY NEWSWEEK

Na Rússia regista-se procura vertiginosa de objectos de luxo

Os organizadores da primeira Feira dos Milionários (Millionaire Fair) em Moscovo constatam com entusiasmo um aumento vertiginoso da procura de objectos de luxo na Rússia (20 -25 por cento por ano face a 7-8 por cento no mundo).

Segundo disse o director da Millionaire Fair, Bettin von Slippe, os milionários russos já não carregam consigo malas cheias de dinheiro, nem compram tudo o que é caro. Têm boa formação e entendem de objectos de luxo, ponderando muito antes de fazer uma compra. Note-se porém, que em casos análogos tomam decisões muito mais rápidas em comparação com os seus colegas europeus.

Em Fevereiro passado foi inaugurada em Moscovo a primeira loja para milionários – Vladenie, onde se pode comprar desde iates a ilhas no Pacífico ou cavalos árabes. O preço mínimo de cada mercadoria equivale a 1 milhão de dólares.

De acordo com os dados da Lux Alliance, actualmente na Rússia há cerca de 15 mil multimilionários, 83 por cento dos quais ganham 1-5 milhões de dólares anuais, 9 por cento – 5-10 milhões de dólares. Outros 5 por cento têm rendimentos anuais da ordem de 10-20 milhões de dólares e 3 por cento – superiores a 20 milhões de dólares. Cabe assinalar que 70 por cento dos milionários são representantes das estruturas empresariais, 2 por cento são conhecidas figuras políticas e 10 por cento – personalidades da cultura e do “show business”.

Os rendimentos dos russos mais ricos aumentam duas vezes mais rápido do que os dos mais pobres que procuram sair do abismo financeiro. A taxa de aumento dos rendimentos da categoria mais rica da população ultrapassa 20 vezes a das categorias mais pobres e continua a aumentar, visto que o afluxo de petrodólares incentiva o desenvolvimento do comércio e serviços, afastando para o segundo ou mesmo terceiro plano a indústria transformadora nacional, constata o perito do Centro de Previsão e Análise Macroeconómica, Igor Poliakov.

Os empresários e gestores que enriqueceram num curto espaço de tempo pensam mais no presente do que no futuro, gastando o dinheiro com a compra de objectos de luxo em vez de investir num novo negócio, que é bastante mais arriscado.

A primeira Feira dos Milionários teve lugar em Amsterdão há 3 anos. Hoje em dia esta é uma das feiras mais prestigiosas nesta área. A presente edição da Feira foi assinalada pela participação de mais de duzentas companhias e marcas mundialmente conhecidas, entre as quais a Bvlgari, Bentley, BMW, Cartier, Fairline, Jaguar, Remy Martin, Mercedes, Mont Blanc, Porsche, Riva, Rolex, Sony, Starline, Wolford e outras.

OCIDENTE DEVE COMPREENDER E NÃO ISOLAR O UZBEQUISTÃO

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Piotr Gontcharov, observador político da RIA “Novosti”

A resolução sobre o Uzbequistão aprovada na reunião ministerial dos 25 Estados-Membros da União Europeia (UE), com vista ao isolamento daquele país, não é de estranhar, sendo uma consequência lógica do chamado “caso Uzbequistão” que despertou especial atenção na União Europeia e, certamente, nos EUA devido aos conhecidos acontecimentos na cidade uzbeque de Andijan traduzidos na repressão de manifestações em massa.

O efeito das sanções mencionadas na resolução (entre as quais o embargo à venda de armas ao Uzbequistão e às visitas de algumas personalidades importantes próximas do peitudas Presidente Karimov à Europa), é praticamente nulo. A Europa e os EUA não poderão sozinhos isolar ninguém e muito menos o Uzbequistão, cujos parceiros não têm a mínima intenção de o fazer. Assim, as sanções terão sido concebidas como gesto mais propagandístico do que prático, destinado a prestar apoio moral aos EUA numa altura em que eles deparam com uma série de problemas nesta região do mundo.

Os EUA, seguidos pela União Europeia, assumiram uma posição dura em relação ao Uzbequistão quando viram abortadas as tentativas do assessor do secretário de Estado, Daniel Fried, de persuadir o Presidente Islam Karimov a prorrogar a permanência da base americana no aeródromo militar de Karchi Khanabad.

No início da epopeia de Andijan, Washington, por intermédio do seu secretário de Estado, havia exigido, de forma muito dura, do Presidente Karimov uma investigação internacional dos acontecimentos de Andijan. “No que se refere às consequências, acho que o Uzbequistão não se quererá confrontar com o problema do isolamento por parte da comunidade internacional” – disse naquela altura Rice. A questão é que os EUA não têm nenhuma alternativa à base americana de Khanabad. O voo desde a base americana “Gancy”, no aeroporto de Manás, na Quirguízia, até Cabul, no Afeganistão, leva duas vezes mais tempo, precisando-se, portanto, de mais combustível. Mais do que isso, o próprio aeroporto de Manás não tem mais espaço para acolher uma outra base americana.

Para além do mais, a Organização de Cooperação de Xangai aprovou uma resolução em que exorta os EUA a “definirem-se quanto ao prazo” da permanência das suas bases na Ásia Central. O mais desagradável para os EUA foi o facto de a resolução ter sido assinada pelo Cazaquistão em cujo território permanece a última, desde recentemente, base dos EUA na Ásia Central.

Os mais recentes acontecimentos foram igualmente impulsionados pelo facto de no julgamento dos revoltados, em Tachkent, ter sido anunciado que as manifestações de congresso haviam sido organizadas inclusive com a “ajuda” da embaixada dos EUA no Uzbequistão.

Nesta confrontação entre os EUA e o Uzbequistão, as sanções aprovadas pela UE são apenas um dos pormenores do quadro geral. Deu entrada há dias, no Congresso americano uma proposta de resolução sobre o levantamento, no Tribunal Penal Internacional, de um processo contra o Presidente do Uzbequistão, Islam Karimov. A comissão de assuntos internacionais do Congresso exige que o Presidente George W. Bush use da influência dos EUA no Conselho de Segurança da ONU para chamar Karimov à responsabilidade pelos acontecimentos em Andijan.

A principal acusação imputada pelos EUA e a UE ao Presidente Karimov é o “emprego desproporcional da força” contra os amotinados. A questão do emprego adequado da força para efeitos de segurança tem sido dolorosa em todos os países. O Uzbequistão não é excepção. Por isso, a Rússia não é o único país a ter uma opinião diferente dos acontecimentos no Uzbequistão. “Qualificamos o que se passou no Uzbequistão como acontecimentos trágicos, tendo, contudo, uma opinião diametralmente oposta da das organizações ocidentais dos direitos do homem no que se refere à avaliação das suas causas” – disse o ministro da Defesa da Rússia, Serguei Ivanov. A Rússia, segundo o ministro, não tem a intenção de limitar as vendas de armas ao Presidente Karimov.

Segundo o perito do Centro de Conjuntura Política, Anatoli Beliaev, o Ocidente deve “ser muito prudente na aplicação dos padrões europeus de democratização sobretudo nas sociedades maioritariamente muçulmanas”.

“Se procurarmos democratizar o Uzbequistão de acordo com as recomendações ocidentais, é grande a probabilidade de termos naquele país um efeito completamente contrário ao desejado, ou seja, um islamismo radical a ultrapassar as fronteiras uzbeques” – acrescenta Beliaev. Para o responsável, não havia garantias de que os acontecimentos de Andijan não impulsionassem desdobramentos semelhantes nos países vizinhos: o Quirguistão e o Tajiquistão, se o governo de Tachkent não se tivesse manifestado de forma resoluta.

Além disso, a nível político e prático, Moscovo e Tachkent “têm muitos interesses comuns no que se refere à estabilidade política e social regional e à cooperação económica” – salienta o perito. Quanto às dificuldades surgidas nas relações entre o Uzbequistão e o Ocidente, seria melhor o Ocidente dar ouvidos aos políticos e peritos “que conhecem os problemas da região não só pelos jornais” – assinala Beliaev. -0-